sexta-feira, 26 de setembro de 2014

And then you smile at me and I'll forget everything I said.

     Os sorrisos, ah, os sorrisos. Sempre tive uma queda por eles, desde os tímidos, que me encontram no meio do caminho pra faculdade, sete e quinze da manhã, aos que se perdem no meu olhar, três e trinta e dois da madrugada, numa festa qualquer. Sempre sorri demais, distribuindo meus muitos, nem sempre tão expressivos e sinceros, sorrisos. Dos mais belos encontrei alguns que nunca vou esquecer, daqueles que vem cheios de história pra contar e o olhar perdido, incoerente com tal felicidade que deveria estar ali. No topo de tantos posso contar dois, que em segredo derretem tudo aquilo que existe dentro de mim. Anônimos, incondicionalmente. Das pernas tremerem e do 'sim' sair fácil da boca. Sim, eu aceito. Sim, sim, sim. Sem dúvidas, sim. E de tantos sorrisos matutinos, noturnos, incansáveis e incoerentes, distribuo o meu, que disfarça tantas histórias sem sorrisos, esperando que, por alguma razão, algum dia, alguém desvende tamanha interrogação.
   O que sempre me chamou atenção no beijo não são eles em si, é aquele sorriso de canto de boca que surge, depois de abrir os olhos, encostar o nariz e perceber que a pessoa não foi embora, ainda. Sorrisos conquistados sempre me chamaram muito mais atenção.

domingo, 7 de setembro de 2014

And I love her.

Tu nunca foi embora. Lembro da chuva na rede, tuas pernas entrelaçando as minhas e as tuas músicas preferidas de fundo. Lembro do teu sorriso parando a minha respiração, porque o teu sorriso, ele parava cada parte de mim. Teus cabelos sempre bagunçados, jogados pra todo lado. Teu cheiro só teu de rosas, flores e paixão por viver. Tuas receitas tão tuas, cheias de tudo e tão feitas com a tua vontade. Teus pensamentos desorganizados, tua loucura não controlada. Tua fala contida, tua voz sempre doce e calma. Teus gestos desastrados, derrubando coisas e me derrubando por inteiro. Os diálogos malucos sobre pessoas aleatórias que tu fazia questão de me contar detalhes e eu ouvia, porque qualquer coisa dita por ti tinha importância, até a lista do supermercado ficava mais bonita na tua voz. E todo mundo via, sabia, e eu te queria. E tu foi a que mais quis toda a bagunça que eu tenho pra oferecer. Nas minhas contas já foram quatro anos, quantos faltam pra tu me deixar realmente viver? Fecho os olhos e lembro da tua respiração e do teu olhar, das tuas brincadeiras. Mas eu não quero lembrar. Levou parte de mim e essa nunca vai voltar. Uma pessoa só, dois caminhos diferentes. Torna-se hábito viver longe de um pedaço da gente.

Always in the night.

O conforto de amor, daquele sorriso inesperado. O conforto do carinho, de se sentir bem. Esses vem do abraço sem querer, inocente. Sem remetente fixo, sem intenção ou só por prazer. Naqueles olhares soltos, que te encontram numa tarde nublada, num domingo perdido. No momento exato de não se estar mais ali e voltar, voltar pra um eixo que nem mais teu é. E na segunda o sufoco te puxa pelos cabelos e te enjaula, esvazia. Nas melodias de um estranho conhecido tu sabe onde ser feliz. Marchar dia após dia e em frente, a estrada segue longa e cheia de curvas e lombas e mistérios. Vais te perder de novo? Já te perdeste? Sentir lá dentro algo sem sentido é o que faz valer a pena. Uma paixão perdida na tua vida que te tirou a direção. Paixão não, o amor da tua vida. Olhos castanhos, ombros marcados. Cheiro de lar. Na falta de algo que mal se lembra tá guardado o que nunca foi esquecido. E fez parte, e sempre vai fazer parte. Um dia tu volta e tira tudo do lugar. Me coloca no meu lugar. Porque "a tua loucura combina com a minha" e isso ninguém vai entender. Foi, de tão longe, o mais perto paraíso que naveguei.

I'm afraid.

Ninguém enxerga igual, não vê o abismo das emoções. Te pega num dia meio ruim, te balança dos pés a cabeça. Te bagunça. Tem sentimento que não se explica e que dói, de forma inexplicável. Tu pensa e pensa e pensa e só quer pensar um pouco menos, menos vezes. E tu te esforça pra ser sempre o que pode de melhor ser, e tu é, mas tu anula todas tuas chances de ser feliz. Escolha própria sempre aperta mais o peito. Quero poder te olhar no fundo dos olhos e dizer "Menina volta, tu pode ser tão melhor.", tarde demais. E tu pensa na falta que a tua presença não faz, no silêncio que a tua voz não ocupa e tu só quer um final, logo. Porque tu vê coragem onde não tem e tu vive teu medo intensamente como quem precisa ser menos pra estar onde esta. E tu não sabe evitar ser assim e tu odeio ser assim. Ser assim, tão tu. Tá tudo errado, tu tá errada. Tu é o erro. Pontos finais sempre me chamaram a atenção.

domingo, 31 de agosto de 2014

It's all understood.

De quantos arrependimentos dá pra se viver? Pausa nas contas pra não se enlouquecer. Saber o exato momento que coisas erradas estão sendo feitas e mesmo assim fazer, por puro prazer em te castigar. Depois acorda, lava o rosto, junta os restos e pensa "De novo? Pra quê?" e menos um amor, menos um carinho. E sem fim, menos. Autodestruição. Desde sempre e pra sempre, inevitavelmente. Saber ou não o destino não interessa, o caminho que firma os pés no chão. E flutuando numa série de suposições e mentiras, algumas ilusões e um pouco mais. Quando os pés voltam ao chão... Ah, tarde demais. Afastar amores, desejos e objetivos. Afastar de ti. Objetivo cumprido, capitão. Fomos tão longe pra morrer na praia mais uma vez. Porque o amor, os amores, todas as coisas, são frágeis, e um passo em falso deixa tudo pra trás. Mas o quebra-cabeça sempre volta a ser montado depois de desfeito. Peça por peça, das mil e tantas que vem na caixa. É tanta peça pra encaixar quando na verdade a peça principal já foi perdida. Siga em frente, soldado. Sempre pra frente. E se olhar pra trás, ignoremos tudo. A peça principal só gostaria de voltar e completar o mais bonito e bem montado quebra-cabeça. Mas perder faz parte. Sigamos, de novo, e de novo. Mais uma vez.

Cause it's to cold for you here.

De pé e ereta, nessa chuva torrencial, que bate de frente ao teu medo sem fim de tanta coisa. Teu medo de falar e ser ouvida, de não dizer nada e ser esquecida. Tu tem medos tão descabidos que um colo te faria bem hoje, amanhã, talvez sempre um colo fosse teu sossêgo. E tu espera tantos colos de tantas pessoas, e tu vai seguir na espera. Porque as pessoas, menina, as pessoas só pedem e pedem e tu dá. Tu te esvazia pra preencher as outras almas e fica assim, oca. Tu oferece mais do que pode e sufoca teus sentimentos num canto escuro. Tua vida, menina, tá passando, e vai passar e quando tu viu, já passou. Vai te amar, guria. Ama mais do que os outros, os teus próprios defeitos. Porque tu sabe que tu é assim, e tu sente porque tu é assim. Respira mais fundo, mais vezes. E não deixa de doar, mas não permite te perder. Quando tu lembrar de esquecer tudo vai ficar melhor. E dá teu colo, mas não esquece de pedir uns também.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

07-06-2014

     Fiquei presa num hiato de sentimentos. Foi só ouvir tua voz e algo dentro de mim despertou. Tenho a impressão de que voltei pra época em que a inocência tomava conta e tudo era possível, nem parece que vivi a escuridão e descobri a dor da realidade. O teu jeito meigo, mas firme de falar. A maneira que a tua voz ecoa e se expande. O jeito que a tua mão encaixa na minha e a forma como a minha cabeça se conforta no teu ombro. Tem tanta coisa dizendo que sim, mas sim nunca foi a coisa mais importante no final das contas. É como se cada pedaço teu pudesse tocar em mim, e é como se a nossa ligação fosse maior do que se possa sentir. Meu medo é a tua falta de visão e a forma como as coisas possam acontecer. Tu tá num mundo diferente do meu e nossos caminhos, mesmo cruzados, estão tomando caminhos diferentes. Quero poder te mostrar que tenho tudo aquilo que tu precisa e quer, mas não posso, tu deve enxergar sozinha. Observo de longe coisas que não quero ver, dói perceber que, mais uma vez, não sou o suficiente. Mas acostumei, não por querer, por obrigação. E escolho dessa vez me manter quieta, pro meu bem, pro teu bem e pro bem daquilo de bom que existe entre nós. Te encontrei mais de uma vez na vida e não foi por acaso que chegamos até onde estamos, mas daqui pra frente não vai ser como eu quero, vai ser como tu achar melhor. E eu vou seguir vivendo, porque se antes segui em frente, não vai ser agora que vou voltar pra trás. Que algo maior possa te levar pro melhor caminho, e que esse caminho te faça feliz. Eu tô aqui, sempre vou estar, talvez seja o meu maior erro, ou a melhor coisa que eu possa fazer no momento.